Eleita para a gestão 2018-2019, a presidente Marcia Ruiz Alcazar conta seus planos para o CRCSP

Eleita para a gestão 2018-2019, a presidente Marcia Ruiz Alcazar conta seus planos para o CRCSP

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A empresária Marcia Ruiz Alcazar estará à frente do CRCSP durante o próximo biênio. Nesta edição, a Revista CRCSP traz uma entrevista com a contadora, abordando temas como carreira, empreendedorismo, família e os desafios na busca pela igualdade de gêneros no mercado de trabalho e na sociedade. Confira.

Como e por que escolheu a Contabilidade para sua vida?

A contabilidade está no meu DNA e a minha decisão, ao escolher ser cientista contábil, sem dúvida, foi inspirada pela história da minha família. Sou a terceira geração de contadores. Meus pais, Chapina e Catia, são de uma família muito simples, filhos de guarda-livros. Meu avô materno, Alcides, trabalhou na iniciativa privada, e meu avô paterno, Fernando, na contadoria da prefeitura municipal de São Paulo. Meus pais se conheceram numa organização contábil, onde ele era responsável pela expedição e ela era operadora contábil. Nove meses depois se casaram e, mesmo sem dinheiro, decidiram empreender. Assumiram a firma de contabilidade do meu tio-avô João Alcazar, que não estava obtendo sucesso. Uma ousadia para quem só tinha 21 e 19 anos, respectivamente, recém-casados e ‘grávidos’. Eu nasci no mesmo ano em que meus pais também reativaram a Seteco, originalmente chamada de Alcazar e Monteiro. O nome atual significa Serviços Técnicos Contábeis (Seteco).

Quando iniciou sua atuação na área?

Comecei aos 15 de idade, com um curso Técnico de Contabilidade, seguido do curso superior em Ciências Contábeis. Depois disso, busquei diversas especializações em Gestão Executiva Internacional, CRCSP 8 | Revista CRCSP CRCSP Liderança e Inovação. Também vivenciei experiências em universidades no Brasil e no exterior, em países como França, Inglaterra, China e Estados Unidos. Ao lado dos meus pais e de meus dois irmãos, Fernando Alcazar e Adriana Ruiz Alcazar, administramos a organização, que continua familiar, mas conta com um time de 150 profissionais especializados em pequenas e médias empresas e instituições do Terceiro Setor. Atuamos nas áreas contábil, fiscal, trabalhista, financeira e de controladoria. Temos ainda a empresa Asplan Sistemas, na área de tecnologia e certificação digital.

Qual é a sua formação acadêmica? Sou contadora, formada pela FAI (Faculdades Associadas do Ipiranga – atualmente, PUC Ipiranga), com MBA em gestão executiva internacional pela FIA (Fundação Instituto de Administração) e fiz vários cursos de extensão em gestão e inovação pela Emlyon Université (França, em 2005); Cambrigde (Inglaterra, em 2005); China (em 2005); Nashville University (Estados Unidos, em 2006); Anderson University (Estados Unidos, em 2013); Stanford University (Estados Unidos, em 2016) e Massachusetts Institute of Technology – MIT (Estados Unidos, em 2017).

Como ingressou nas entidades congraçadas de contabilidade?

O movimento da mulher profissional da contabilidade e de desenvolvimento de novas lideranças no Estado de São Paulo contribuiu para que eu ingressasse nas entidades contábeis. Se não fosse isso, certamente não teria iniciado minha atuação como conselheira no CRCSP. Entrei em um momento em que, além do conhecimento e experiência comprovadas, a chapa concorrente às eleições do CRCSP tinha que cumprir cota de 20% do gênero oposto. Hoje, a participação de mulheres nos conselhos regionais é maior e não se exige mais a cota de gêneros.

Já passou por muitos desafios?

Sim, a idade foi algo que pesou. Assumi responsabilidades quando ainda era muito jovem e houve quem me dissesse “tenho de experiência profissional o que você tem de idade”. Ainda hoje existem muitos desafios e preconceitos, sobretudo no que se refere às profissionais que optam por casar e ter filhos. Uma mulher saudável e produtiva pode perfeitamente conciliar família, maternidade e carreira, se essa for a escolha dela. Temos ainda que romper o fenômeno chamado ‘teto de vidro’. Se estamos no mercado de trabalho, investimos em capacitação profissional e temos experiência comprovada, por que não conquistamos os cargos de alta direção? Precisamos nos candidatar, nos apresentar e concorrer, independentemente de gênero, raça ou preferências pessoais. Deveriam ser adotados os mesmos critérios de promoção, independentemente de gênero. Em muitos casos, homens são promovidos por apresentarem um potencial futuro de desenvolvimento pessoal. Essa ainda é uma triste realidade.

Como foi sua ascensão no CRCSP até chegar à presidência?

Fui eleita conselheira efetiva em 2006 e atuei nas vice-presidências de 2012 a 2017. Foram dois anos na área de Desenvolvimento Profissional, dois na área de Fiscalização, Ética e Disciplina e mais dois anos em Administração e Finanças até chegar à Presidência. Esse processo de renovação do CRCSP proporciona o desenvolvimento das competências multidisplinares exigidas para que possamos fazer uma representação adequada e alinhada às exigências da classe contábil. É de fato uma renovação responsável, consistente e que valoriza e fortalece as conquistas alcançadas ao longo da história.

Além do Conselho, de quais outras entidades participa?

Presido o Conselho Fiscal da Associação Profissional Women Networking (PWN-SP); represento o CRCSP em diversos grupos de trabalho, no Conselho Federal de Contabilidade (CFC), na Fundação Brasileira de Contabilidade, na Associação Comercial de São Paulo e sou associada do Sescon-SP e Sindcont-SP. Já fui associada ao Ibracon e à Anefac.

Enquanto mulher, empreendedora e independente, você é muito engajada em causas de empoderamento feminino e igualdade de gênero.

As mulheres estão cada vez mais acumulando conquistas profissionais, sociais, amorosas e a feminilidade não é barreira para se impor quando necessário e conquistar a sua independência. As pessoas não investiriam tanto tempo no assunto ‘empoderamento feminino’ se de fato fosse algo sem importância. O assunto é tão relevante que em 2010 a ONU lançou “Os Princípios de Empoderamento das Mulheres” (Women Empowerment Principles – WEPs, sigla em inglês), sete princípios para ajudar as empresas e as comunidades a entender como dar poder para mais mulheres. São inúmeras as dificuldades no mercado de trabalho, inclusive para as profissionais da contabilidade, e seguir os princípios estabelecidos pela ONU pode, de fato, assegurar a igualdade de gêneros tão desejada por todos nós. Sou também uma entusiasta de campanhas globais como a #HeForShe, da United Nations Entity for Gender Equality and the Empowerment of Women (UN Women), um dos braços da Organização das Nações Unidas (ONU).

O que as pessoas podem fazer no seu dia a dia para lutar pela igualdade de gênero?

Dar voz ativa e igualitária às mulheres é um dever de todos e começa pela educação em nossa própria casa. A cor, o brinquedo e a emoção não deveriam definir o gênero. Crianças não têm preconceitos, elas só adquirem isso pela educação que recebem. Eu mesma, na infância, adorava brincar com carrinho de rolimã, pescar e soltar capucheta, coisas que meu avô Fernando me ensinava.

A cada ano cresce o número de mulheres na Contabilidade e, mais que isso, de mulheres que ocupam cargos de liderança na profissão contábil. Você pode comentar essa evolução?

No Sistema CFC/CRCs, se continuarmos com essa busca permanente por conhecimento, em breve alcançaremos a igualdade em registro cadastral nos Conselhos, já que a quantidade de mulheres aprovadas no Exame de Suficiência tem superado o de homens. Os números não deixam dúvidas: a quantidade de mulheres exercendo a profissão contábil, como contadoras ou técnicas, cresceu 83,94% na última década, contra 28,08% do nú- mero de homens. Atualmente, no Brasil somos 226.581 mulheres e 301.971 homens, entre contadores e técnicos. No Estado de São Paulo, temos 62.581 mulheres registradas e 88.703 homens.

O que significa uma mulher ser eleita como presidente do CRCSP, o maior Conselho de Contabilidade do país? Existe algum tipo de receio de como será vista e acolhida pela classe contábil?

Tivemos uma vitória histórica em 2015 quando disputamos as eleições para renovar 1/3 do plenário do CRCSP. Foi uma disputa entre duas chapas e cada uma delas encabeçada por mulheres contadoras. Tive a honra de encabeçar a chapa vitoriosa. Um marco de grande repercussão nacional. Essa vitória só aumentou a nossa responsabilidade, pois milhares de profissionais acreditaram em nossas propostas e apoiaram os resultados que alcançamos. Isso resultou numa harmonização de propósitos possibilitando uma composição única nesse pleito eleitoral de 2017 que alcançou 83,77% dos votos válidos. Acredito que chegar a este cargo é fruto de muito trabalho e dedicação à classe contábil. Apesar de muitos obstáculos, as mulheres provaram que são tão competentes quanto os homens em áreas por muito tempo consideradas masculinas. Sinto-me extremamente honrada por assumir o cargo de presidente do CRCSP. Manter a classe unida é um desafio e fortalece muito mais as nossas conquistas e, assim, queremos seguir honrando a escolha feita tanto pelos profissionais da contabilidade que acreditam e reconhecem o trabalho desenvolvido pelo CRCSP em prol da profissão, quanto por aqueles que ainda se mantém distantes por desconhecerem todos os serviços oferecidos. O lema que propus para essa gestão traduz a nossa essência: “CRCSP – Movido por conquistas. Inovando pela profissão”. Tenham certeza que assim como eu, todos nós, os 72 conselheiros eleitos, estamos prontos para servir com bom trabalho, ética e lealdade à classe contábil. Unidos, somos muito mais fortes!

Em sua opinião, que fatores ou características femininas podem contribuir ainda mais para uma gestão de sucesso?

Entendo que o importante é ter competência, habilidade e atitude e isso não está relacionado a qualquer gênero, mas sim às características do comportamento humano. Padrões mais agressivos, fortes e exigentes são, por exemplo, características da energia masculina que muitas mulheres têm e padrões mais tolerantes, amorosos e flexí- veis são caraterísticas da energia feminina que muitos homens têm também. O que quero dizer é que um gênero não é melhor do que o outro, mas o conjunto das qualidades adquiridas por cada indivíduo é que faz a diferença e essa diferença impacta diretamente nos resultados.

Quais suas principais metas para valorização da profissão contábil?

Sob o aspecto regulatório, divulgaremos as audiências públicas promovidas pelo CFC para que todos os profissionais possam ter voz ativa e contribuir com a regulação da profissão contábil em nosso país. Acreditamos que para interferir temos que participar e que uma manifestação organizada ganha muito mais representatividade. Quanto ao desenvolvimento profissional, daremos totais condições para que todos possam exercer a profissão de forma plena e cumprir com o Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC), por meio das atividades presenciais que realizaremos em todas as cidades onde se fizer presente uma delegacia do CRCSP e por meio dos conteúdos a distância, que permitem que o profissional se mantenha atualizado de forma online. Nas cidades onde existe uma concentração maior de profissionais, como na capital, Campinas, Guarulhos e São José dos Campos, ampliaremos nossa atuação descentralizando atividades para bairros das zonas Norte, Sul, Leste e Oeste, possibilitando com isso que mais profissionais tenham a oportunidade de participar das atividades do CRCSP. Promoveremos discussões técnicas (plantão permanente de integração profissional) para que ações livres e colaborativas entre os profissionais da contabilidade possam ser estimuladas. Reconhecimento dos novos profissionais, destaque dos melhores alunos, dos notáveis professores e profissionais que prestaram relevantes serviços à classe contábil serão mantidos. A novidade será a homenagem que prestaremos aos profissionais que mantêm seu registro ativo há mais tempo, sem ter nenhuma ocorrência ética disciplinar. Vai ser emocionante!  Na área de fiscalização, acreditamos que toda ação de prevenção mitiga os riscos da profissão, por isso adotaremos medidas educativas para ampliar o Procedimento Diferenciado de Fiscalização (Prodif). Intensificaremos as ações de combate à concorrência desleal e a fiscalização ativa dos serviços online de contabilidade. As denúncias continuarão sendo tratadas com total prioridade. Para responder as questões de responsabilidade fiscal e orçamentária iremos comunicar e prestar contas de tudo o que o CRCSP faz pelo profissional, por meio dos canais oficiais e do Portal da Transparência, para que todos possam acompanhar a aplicação dos recursos originários exclusivamente da anuidade profissional. Nosso compromisso ao apresentar propostas consistentes e alinhadas com as prerrogativas legais de uma autarquia federal, como é o CRCSP, visa fortalecer as conquistas da classe contábil. Eu me sinto muito honrada em pertencer a um grupo de profissionais que luta e defende os interesses da profissão de forma tão responsável, transparente e ética.

Qual o lema da sua gestão e o que ele significa?

Como citado anteriormente, o lema da minha gestão é “CRCSP – Movido por conquistas. Inovando pela profissão”. Pretendemos buscar novidades e ir além das regularidades propostas pela modernidade, reconfigurando nossa forma de atuação e o jeito de como desenvolvemos nossos projetos. Será transformador! O foco em tecnologia é questão de sobrevivência, pois as transformações digitais estão mudando o perfil da profissão e de todo cidadão que precisa sempre manter sua vida organizada e prestar os seus serviços da melhor forma possível. Hoje em dia, tudo acontece com muita rapidez e assim ocorre também com os hábitos e exigências dos profissionais da contabilidade. O avanço de novas tecnologias é o principal impulsionador destas mudanças. Nessa era de revolução digital e SAC 3.0, estamos focados em oferecer aos profissionais da contabilidade uma excelente experiência com o CRCSP. Quais são as suas expectativas sobre a contabilidade para os pró- ximos anos? No Brasil, precisamos da simplificação e desburocratização fiscal, que toma muito tempo de todos nós profissionais da contabilidade. Além disso, precisamos de maior entendimento da sociedade. As pessoas ainda precisam perceber os benefícios que a contabilidade proporciona.

Você deve se tornar, especialmente após a presidência, uma fonte de inspiração para muitas mulheres que atuam na área contábil. Que mensagem gostaria de deixar para elas?

As mensagens do filme “Alice no País das Maravilhas” são uma lição de vida. A que mais gosto e muito me inspira é: “A única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível”. Permita-se! Liberte-se! Inspire-se e lembre-se: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Sejam sempre felizes, pois abençoadas todas nós já somos.

 

Nosso compromisso ao apresentar propostas consistentes e alinhadas com as prerrogativas legais de uma autarquia federal, como é o CRCSP, visa fortalecer as conquistas da classe contábil

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